Manifesto da Manipulação dos Símbolos

Devo começar dizendo algo chato, que já foi dito, pensado ou questionado por alguém perto de você caso você mesmo não tenha sido capaz de pensar:

Até que se prove o contrário, todos os deuses e símbolos adorados, um dia foram criados por aqueles que os adoram.

Esta frase pode-lhes parecer um tanto ofensiva, principalmente em relação à sacralidade que cada deus como simbolo emana de si, mas devemos lembrar que além de não ser um problema meu a forma como o que eu digo os ofende, trago à vocês a lembrança de que quando um simbolo passa à ter mais influencia que seu manipulador, a receita do fracasso está instaurada, pois é perdida a capacidade de questionar o simbolo da parte do operador, e ali perdemos um mago e encontramos um fanático, e ainda que um fanático seja capaz de manifestar atos magickos, o filtro da sua intenção não está conectado ao ato, mas apenas seus sentimentos com os olhos embaçados pela névoa da falta de capacidade interpretativa e cognitiva no convívio com os símbolos, também não estou dizendo que não sirva como fonte de prazer legítima para que se permaneça nesta forma de prática, mas devemos levar em consideração que até Crowley já comentou que “a palavra do pecado é restrição”, portanto, recomendo que se recorde sempre disto:

Todo limite imposto por um símbolo não é limite verdadeiro, é corruptela propagada da interpretação do mesmo, e na falta de uma interpretação plausível, interprete você mesmo, nada vai mais além que a experiencia do próprio operador.

Toda interpretação simbólica necessita de um vocabulário mental, que é como um alfabeto de símbolos que nos ajudam na concepção de tudo o que desejamos processar na nossa mente para qualquer fim. Deixo o exemplo da palavra “Tudo”, que muitos nesse momento de leitura já foram remetidos à um grau divino que se refere à quantidade, mas que em verdade quando pensam em “Tudo”, se direcionam à um numero limitado em existência, visto que “tudo” o que se sabe nem sempre representa “tudo” o que verdadeiramente “é”.

Afirmo ser benéfica a ressignificação dos símbolos que são interpretados de forma desagradável, notem, eu disse DESAGRADÁVEL, porque símbolos são ferramentas, e a forma como cada ferramenta se aplica, cabe apenas ao operador, afinal de contas, se eu uso um martelo para pregar alguém à cruz ou para pregar um quadro pintado por um artista, a importância habita na intenção direcionada pela ferramenta, e não pelo sentido simbólico comum ao vocabulário social/cultural vigente.

Acaso se na lenda cristã da crucificação de Je$us, alguém perguntasse ao prego com o qual crucificaram o nazareno, “Je$us ou Barrabas?” já sabemos que encontraríamos um prego bastante desinteressado quanto a dúvida.

Na relação OPERADOR x FERRAMENTA existem um manipulando e outro sendo manipulado, e se você está nessa relação sem deter o controle de como as energias se manifestam, questione-se sobre você ser o operador ou ferramenta.

Alguém pode estar fazendo magia e não ser você.