Análise d’O Pequeno Livro da Vênus Negra de John Dee [Parzifal Publicações e Editora Darash]

Cês tão ligados que nós aqui d’O Caos de Sempre e a Parzifal Publicações temos uma parceria fodona? Não?! Então, váááááááááários livros lindos que estão sob seu selo chegaram até nossas mãos e agora vai sempre rolar análise sobre cada uma delas, e juro que tudo com a maior das sinceridades possíveis e necessárias pra ninguém sair daqui choramingando.

Caso você também queira que eu faça uma analise de algum livro ai, você pode me mandar, entre em contato através do ocaosdesempre@gmail.com


Libellus Veneri Nigro Sacer, ou The Little Book of Black Venus ou na nossa língua, O Pequeno Livro da Vênus Negra, um livro que te ensina a forçar os espíritos de Vênus com um chifre a te obedecer senão o pau come.

Como diríamos no orkut, “O que dizer desse livro tão pequenininho que desperta a desconfiança de qualquer palestrinha ocultista/magista mas que eu já considero pacas?”.

Sobre o conteúdo

Esse livro ainda que seja da bem vinda mão de John Dee não é tão fácil de engolir pros ocultistas e magistas de poltrona que esperam um livro super gordo e cheio de teorias que justifiquem seus pontos de vista. Não reclamem comigo, reclamem com Freud e com Spare rs.

Este é um livro que eu recomendo que antes de comprar, você pesquise um pouco sobre, e tenha o olhar disposto a observar o que está por trás de cada palavra e expressão formulada em seu contexto. Não da pra comprar esse livro e esperar mistérios universais quando você já vem com 12 pedras nas mãos afim de retirar dele o que você quiser e não o que ele tem a oferecer.

A seguir deixo meu ponto de vista sobre o livro e o trabalho deixado nele, e não se esqueçam, sou magista do caos, thelemita, discordiano, não me cobrem um olhar sacerdotal cerimonial que eu pouco me interesso, isto é sobre meu olhar, você pode gostar ou não, mas como já havia dito la no inicio na imagem de apresentação do meu site, “Vir até aqui é problema seu” e bom apetite.

O maior dos segredos, mas não o único é o que está antes do sumário, em que é dito:

Para evocar os demônios, é necessário que os espíritos sejam chamados de acordo com seus nomes. Não nego que seja possível obrigá-los ao chamado através de conjurações de eficácia poderosa ou vínculos poderosos, com grande e abundante esforço prolixo, de enormes dificuldades.

Tendo lido isto, esteja ciente que você precisa saber o que são demônios, não apenas aqueles seres esquisitos que a igreja adora mais que o homem de mãos furadas, mas sim o que cada um representa em sua hierarquia de trabalhos e quais planos de manifestação eles integram. Lembre-se de que seus nomes são importantes, pois são o menor caminho entre a manifestação da energia destes arquétipos e a conexão deles com a nossa mente, ou dependendo do seu paradigma, a menor distância entre nosso plano e o plano de manifestação desses entes. Obriga-se estes espíritos através de exaustivos psicodramas que envolvem sua mente na narrativa da viagem destes arquétipos do imanifesto para o imanifesto, tal qual Donald Tyson diz que magia é trazer o imanifesto ao manifesto e do manifesto ao imanifesto, onde o manifesto é tudo o que é e o imanifesto “o que não”, ou o que ocupa os espaços entre um manifesto e outro rs.

Este parágrafo é sem dúvida a fórmula magicka da evocação, invocação, ativação de talismãs e tudo mais que se envolvam na prática magicka, e se você não está preparado para isso, melhor nem comprar o livro, ou até comprar, desde que não vá lê-lo que nem esse povo que acha que goétia ou você faz como manda a cartilha ou você ta fodido. Entenda este livro como literatura de base para inúmeros outros trabalhos, ele não espera que você o execute como está escrito, apenas que compreenda o que o trouxe até ali.

Preciso deixar vocês avisados que este não é um livro introdutório nas artes magickas, então tu não vai ver ele pegando na tua mão e falando “Vênus é isso”, “Talismã é isso”, “Gnose pra isso tem que ser assim”, ele pega e diz, “Irmão, eu fiz isso, isso e isso na superficialidade e aconteceu isso porque minha intenção foi essa” e ponto final, se você espera que ele te ensine o bêabá é melhor você voltar pras literaturas anteriores que te preparam pra introdução a banimentos, simbologias, planetas, espíritos e particularidades de rituais, e pra isso eu até recomendaria o Liber ABA, um pouco de Eliphas Levi e Edward Kelley (que por sinal sabe mais o que diz que o próprio Dee rs [e não me crucifiquem por isso, você por acaso já leu o Kelley? rs])

Lembremos também que neste livro John Dee trabalha com uma cosmogonia que entrega toda a responsabilidade da criação de Tudo ao Todo e este todo possui hierarquias angélicas como as da cabala e muito provavelmente primeiro vem seu pensamento enquanto cabalista para depois vir seu pensamento enochiano…

Os sigilos descritos como particularidades de demônios são antes de tudo sigilos pertencentes a anjos, sempre anjos que após sua queda mantém seu “CPF” como seus sigilos, ok? Então tão é algo que “vem do cu” do Dee, é realmente algo que é pré estabelecido a partir de Kameas planetários que compreendem aos planetas como “órgãos do corpo de deus”.

Dentro do livro ele fala sobre um ítem muito importante para toda a operação que é o chifre, que tem as instruções para o momento de retirar do boi e tudo mais, mas sinceramente eu acho que você será um bobo se achar que ele realmente está falando sobre um boi de verdade e um chifre de verdade… 

Não consigo tirar da minha cabeça a ideia de que é falado neste momento sobre uma preparação sexual para a evocação destes espíritos, até porque temos neste livro Vênus tanto como o planeta da união como vênus sempre a estrela da manhã, sendo Lúcifer em sua grandiosidade da primeira e última estrela da noite.

Mas tudo bem, se quiser vá lá e retire um chifre da cabeça de um boi, não consigo pensar nesta operação não sendo realizada só porque você esteve em dúvida se era pra usar um chifre ou uma rôla.

Sobre o corpo físico da obra

São umas 51 páginas úteis do livro, a capa é dura mas não muito, e é perfeito pra você colocar na mochila e levar pro almoço de domingo e ler na mesa com todos os eleitores de bolsonaro que fazem você ficar calado enquanto eles dizem que não há crise.

A impressão é boa e o papel é gostoso aos olhos, não é branco, mas sim amarelado, então seu uso na luz intensa não será incômodo.

Eu li este livro em 3 versões em inglês antes de ler a tradução do Rafael Resende Daher para o português que está neste livro publicado pela Parzifal Publicações em conjunto com a Editora Darash e achei muito fiel, respeita também o contexto cultural, vai por mim, tá fiel mesmo rs.

No site da Parzifal Publicações ta bem baratinho, ta R$49,90 ou até 4x de R$13,27, bem menos do que tu gaste em droga no mês e com certeza se vocês forem lá no inbox do instagram da Parzifal ou entrarem em contato por email com eles e falarem que chegaram até eles por este texto, vocês vão conseguir sem dúvida uma facilidade a mais pra levar esse e outros livros.

Caso tenha gostado desta análise, conheça também a análise anterior que fiz sobre o Grimório Tântrico Integral da Angela Edwars, que é uma baita artista e cujo livro você também encontra lá no site da Parzifal Publicações.


VALE A PENA A LEITURA? VALE! VALE A PENA COMPRAR ESSE LIVRO? VALE!

Vale muito! Inclsive pra fazer você aí magista de sofá rebolar essa bunda e perceber que o que mais você ta querendo é alguém que pegue na sua mãozinha! Esse livro é pra quem se garante no mínimo em pesquisar e sair da zona de conforto! Não ta nenhum pouco caro e como eu falei, o papel é bem confortável! Tem um tamanho bem acessível e não vai ocupar muito espaço na sua mochila pra você ai que fala que não anda com livro por conta do peso.

O conhecimento ali incluído é maduro e desafiador, é pra todos, mas nem todos são pra esse conhecimento. Uma pena, né (:

Análise do Grimório Tântrico Integral de Angela Edwards [Edição Parzifal Publicações]


Há um tempo vinha querendo ler o Grimório Tântrico Integral, e esse dia chegou, a Parzifal Publicações me mandou esse livro bonito pra que eu falasse pra vocês um pouco dele.

Caso você também queira que eu faça uma analise de algum livro ai, você pode me mandar, entre em contato através do ocaosdesempre@gmail.com


Não sei se é do conhecimento comum, mas eu sou um cara bastante entusiasmado quando tratamos de Vodun Gnóstico, me vem a mente Michael Bertiaux, o  e todas as suas criações atávicas ligadas aos pontos quentes, me vem também o Voudon Gnostic Workbook com todos os tipos de trabalhos com veves, lowas e todo trabalho com secreções  cósmicas e físicas que podemos imaginar, mas o livro foge um pouco dessa temática, JURO QUE ELE SE MANTÉM TANTO NO VODUN QUANTO NO GNOSTICISMO.

Importante frisar essa frase anterior que propõe que o livro se mantém no gnosticismo do voudon porque estamos acostumados a ligar essa linha de trabalho com tudo o que se aproximou aos trabalhos tanto de Bertiaux, quando de Beth ou seja da OTOA, LCN ou M7R, mas é gnóstico tudo aquilo que vem de dentro pra fora sem cair no “abismo do porque”.

Angela Edward é artista visual, claramente adepta ao Zos Kia Cultus, direta ou indiretamente, TODAS AS PRÁTICAS do livro são claramente atávicas, sendo na minha opinião o atavismo a atividade mais importante a ser abordada dentro do trabalho de Austin Osman Spare.

Adorei sua abordagem a partir de meditações e estudos de flexibilização de paradigmas quanto às praticas de magia sexual propostas no livro, em determinado momento ela expõe que não defende inúmeras práticas expostas no livro ligadas aos Lowas cujos atos são violentos deste a essência até a casca.

O livro começa com um aviso legal e um papo reto sobre as associações propostas no livro, Angela afirma antes que qualquer pessoa a perturbe e seja uma chata do caralho, assumindo logo que sua produção neste livro é pós-moderna sim, adaptada diretamente ao século XXI e que não tem a menor intenção de te convencer de que aquele ponto de vista é o ponto de vista definitivo sobre vodu gnóstico ou sobre qualquer coisa que ela se proponha.Bom também que já fica claro pra você ai ortodoxo de porra nenhuma, que lá ela associa os lowas com a árvore da vida e se você não tem estômago para isso é melhor que vá ler o hinário da igreja batista mais próxima da sua casa.

Nicholaj de Mattos Frisvold vem neste livro entregando um prefácio tão gostoso de ler que fiquei órfão ao encerrar a leitura e cair dentro do conteúdo direto do livro, seu nome é “Gramática de psicopatologias movidas pela noite e pela magia”, onde ele exalta toda transgressão proposta pela autora, tanto num panorama psicosexual quanto numa camada sintomática social, onde ela num nível individual explora as sombras de sua personalidade sob a influência dos lowas e num nível coletivo onde utiliza seu corpo e sua psique para manifestar as capacidades destrutivas da humanidade na exploração do desejo.

A introdução fica por conta da própria Ângela, que nos dá exemplos muito práticos de seu trabalho magicko refletido no dia a dia a partir da observação das qliphoth e lowas, e desde já abro espaço aqui pra dizer que se o seu medo é falta de conhecimento para entender o vocabulário exposto nesta obra, eu já te acalmo com muito gosto te dizendo que 2 partes após essa introdução já tem uma parte chamada “A Árvore da Morte Sob a Ótica Qliphotica Como um Reflexo da Condição Humana”, onde a partir de observações bem claras sobre o comportamento humano, chegamos a um entendimento da funcionalidade das qliphot associadas a cada um dos lowas (Muuuuuuuuuuuuuito embebida na perspectiva do Kenneth Grant no Night Side Of Eden [Alô Parzifal Publicações, traga esse livro pro Brasil por favor!]) que já nos entregam um pouco do que estará por vir nessa obra artística pintada a tintas ctônicas.

As ilustrações de Ângela são viscerais, a tonalidade, textura, relevo são fundamentais quando ela tenta e consegue ao máximo explorar a surpresa, curiosidade e o asco dos observadores, lembrando sempre que assim como pra mim foi um tanto perturbador notar a diferença de seu trabalho do trabalho de Bertiaux, devemos lembrar que a base do voudon gnóstico é o desenvolvimento independente do operador proposto, criando a intimidade pessoal com os símbolos que decide explorar esperando sempre que haja uma entrega do operador às emanações da psique que brotam do inconsciente. É gnóstico, gnóstico é pessoal e intransferível, tipo o que o Estado espera que você faça com o seu documento de identidade, sabe?

A diante encontramos o que mais estavamos esperando, o conteúdo integral do livro, é dividido em duas parte na minha opinião, não o conteúdo, mas cada um dos capítulos a seguir que falam sobre cada um dos lowas propostos em associação com cada uma das sephirah. A divisão se faz por meio de uma invocação, sempre um poema perturbadoramente genial, onde você nota que é de fato um trabalho artístico e começa a entender a partir dele que sem a arte não há processo magicko, que sem o processo magicko não há arte e que os dois são um só e quando observados como singulares, se tornam complementares e inúteis sem a companhia do outro. A outra parte da divisão de cada capítulo se dá através de informações técnicas sobre cada lowa, sem a intenção de te instruir para uma prática de cópia do trabalho de Ângela, mas assim como Bertiaux, seu objetivo a todo o tempo é mostrar a capacidade proposta pelo Voudon Gnóstico de avançar em solitude na direção que quiser e que o sucesso é a prova… As informações técnicas de cada capítulo são: Ritual, Associações Sexuais, Secreções Humanas a Serem Ofertadas, Cores, Materiais, Partes do Corpo, Elemento, Erotização Mental, Pedra, Associações com Cartas do Tarot e Família Loa.

As associações cabalísticas SEPHIRAH-LOA são:

  • Kether-Damballah
  • Chokmah-Barão Samedi
  • Binah-Mama Brigitte
  • Chesed-Marinette dos Braços Secos
  • Geburah-Barão Kriminel
  • Tipharet-Os Marassas
  • Netzach-Erzulie Dantor
  • Hod-Barão Limbi
  • Yesod-Kalfou
  • Malkut-Baka
  • Daath-Nibo

Há um epílogo foda pra caralho chamado “Invocação do Portal para o Vazio”, lá você encontrar um poema genial chamado “invocação do vazio gerador”, nele através da métrica existe uma possibilidade ímpar de se acessar uma gnose útil para trabalhos introspectos, vale a pena dispor um tempo a leitura deste trabalho.


VALE A PENA A LEITURA? VALE! VALE A PENA COMPRAR ESSE LIVRO? VALE!

Vale a pena porque eu mesmo percebi o quanto estava ainda preso a padrões no Vodun Gnóstico tomando como base o trabalho do Michael Bertiaux, sendo que o Grimório Tântrico Integral só esfrega na nossa cara que na realidade não há padrão no gnosticismo do voudon e na verdade em nenhum outro. É como eu disse, SE É GNÓSTICO É PESSOAL, SE É PESSOAL É GNÓSTICO E NÃO HÁ TRANSFERÊNCIA DE PONTO DE VISTA! Conheçam, rompam as amarras e aproveitem a leveza da flexibilização de seus paradigmas.

Para comprar com um desconto massa, use no site (http://www.parzifal777.com.br) deles o código > ocaosdesempre < e sejam muito felizes


Agradeço imensamente a oportunidade de conhecer o trabalho da Angela Edwards através do Grimório Tântrico Integral a partir dessa tradução bem boa feita pela Parzifal Publicações, e também agradeço Bruno Gerfilli a dedicação em propagar as obras gnósticas de cunho Afro para esse meio ocultista tão abafado pela Magia Ocidental da Europa.