Análise do Grimório Tântrico Integral de Angela Edwards [Edição Parzifal Publicações]


Há um tempo vinha querendo ler o Grimório Tântrico Integral, e esse dia chegou, a Parzifal Publicações me mandou esse livro bonito pra que eu falasse pra vocês um pouco dele.

Caso você também queira que eu faça uma analise de algum livro ai, você pode me mandar, entre em contato através do ocaosdesempre@gmail.com


Não sei se é do conhecimento comum, mas eu sou um cara bastante entusiasmado quando tratamos de Vodun Gnóstico, me vem a mente Michael Bertiaux, o  e todas as suas criações atávicas ligadas aos pontos quentes, me vem também o Voudon Gnostic Workbook com todos os tipos de trabalhos com veves, lowas e todo trabalho com secreções  cósmicas e físicas que podemos imaginar, mas o livro foge um pouco dessa temática, JURO QUE ELE SE MANTÉM TANTO NO VODUN QUANTO NO GNOSTICISMO.

Importante frisar essa frase anterior que propõe que o livro se mantém no gnosticismo do voudon porque estamos acostumados a ligar essa linha de trabalho com tudo o que se aproximou aos trabalhos tanto de Bertiaux, quando de Beth ou seja da OTOA, LCN ou M7R, mas é gnóstico tudo aquilo que vem de dentro pra fora sem cair no “abismo do porque”.

Angela Edward é artista visual, claramente adepta ao Zos Kia Cultus, direta ou indiretamente, TODAS AS PRÁTICAS do livro são claramente atávicas, sendo na minha opinião o atavismo a atividade mais importante a ser abordada dentro do trabalho de Austin Osman Spare.

Adorei sua abordagem a partir de meditações e estudos de flexibilização de paradigmas quanto às praticas de magia sexual propostas no livro, em determinado momento ela expõe que não defende inúmeras práticas expostas no livro ligadas aos Lowas cujos atos são violentos deste a essência até a casca.

O livro começa com um aviso legal e um papo reto sobre as associações propostas no livro, Angela afirma antes que qualquer pessoa a perturbe e seja uma chata do caralho, assumindo logo que sua produção neste livro é pós-moderna sim, adaptada diretamente ao século XXI e que não tem a menor intenção de te convencer de que aquele ponto de vista é o ponto de vista definitivo sobre vodu gnóstico ou sobre qualquer coisa que ela se proponha.Bom também que já fica claro pra você ai ortodoxo de porra nenhuma, que lá ela associa os lowas com a árvore da vida e se você não tem estômago para isso é melhor que vá ler o hinário da igreja batista mais próxima da sua casa.

Nicholaj de Mattos Frisvold vem neste livro entregando um prefácio tão gostoso de ler que fiquei órfão ao encerrar a leitura e cair dentro do conteúdo direto do livro, seu nome é “Gramática de psicopatologias movidas pela noite e pela magia”, onde ele exalta toda transgressão proposta pela autora, tanto num panorama psicosexual quanto numa camada sintomática social, onde ela num nível individual explora as sombras de sua personalidade sob a influência dos lowas e num nível coletivo onde utiliza seu corpo e sua psique para manifestar as capacidades destrutivas da humanidade na exploração do desejo.

A introdução fica por conta da própria Ângela, que nos dá exemplos muito práticos de seu trabalho magicko refletido no dia a dia a partir da observação das qliphoth e lowas, e desde já abro espaço aqui pra dizer que se o seu medo é falta de conhecimento para entender o vocabulário exposto nesta obra, eu já te acalmo com muito gosto te dizendo que 2 partes após essa introdução já tem uma parte chamada “A Árvore da Morte Sob a Ótica Qliphotica Como um Reflexo da Condição Humana”, onde a partir de observações bem claras sobre o comportamento humano, chegamos a um entendimento da funcionalidade das qliphot associadas a cada um dos lowas (Muuuuuuuuuuuuuito embebida na perspectiva do Kenneth Grant no Night Side Of Eden [Alô Parzifal Publicações, traga esse livro pro Brasil por favor!]) que já nos entregam um pouco do que estará por vir nessa obra artística pintada a tintas ctônicas.

As ilustrações de Ângela são viscerais, a tonalidade, textura, relevo são fundamentais quando ela tenta e consegue ao máximo explorar a surpresa, curiosidade e o asco dos observadores, lembrando sempre que assim como pra mim foi um tanto perturbador notar a diferença de seu trabalho do trabalho de Bertiaux, devemos lembrar que a base do voudon gnóstico é o desenvolvimento independente do operador proposto, criando a intimidade pessoal com os símbolos que decide explorar esperando sempre que haja uma entrega do operador às emanações da psique que brotam do inconsciente. É gnóstico, gnóstico é pessoal e intransferível, tipo o que o Estado espera que você faça com o seu documento de identidade, sabe?

A diante encontramos o que mais estavamos esperando, o conteúdo integral do livro, é dividido em duas parte na minha opinião, não o conteúdo, mas cada um dos capítulos a seguir que falam sobre cada um dos lowas propostos em associação com cada uma das sephirah. A divisão se faz por meio de uma invocação, sempre um poema perturbadoramente genial, onde você nota que é de fato um trabalho artístico e começa a entender a partir dele que sem a arte não há processo magicko, que sem o processo magicko não há arte e que os dois são um só e quando observados como singulares, se tornam complementares e inúteis sem a companhia do outro. A outra parte da divisão de cada capítulo se dá através de informações técnicas sobre cada lowa, sem a intenção de te instruir para uma prática de cópia do trabalho de Ângela, mas assim como Bertiaux, seu objetivo a todo o tempo é mostrar a capacidade proposta pelo Voudon Gnóstico de avançar em solitude na direção que quiser e que o sucesso é a prova… As informações técnicas de cada capítulo são: Ritual, Associações Sexuais, Secreções Humanas a Serem Ofertadas, Cores, Materiais, Partes do Corpo, Elemento, Erotização Mental, Pedra, Associações com Cartas do Tarot e Família Loa.

As associações cabalísticas SEPHIRAH-LOA são:

  • Kether-Damballah
  • Chokmah-Barão Samedi
  • Binah-Mama Brigitte
  • Chesed-Marinette dos Braços Secos
  • Geburah-Barão Kriminel
  • Tipharet-Os Marassas
  • Netzach-Erzulie Dantor
  • Hod-Barão Limbi
  • Yesod-Kalfou
  • Malkut-Baka
  • Daath-Nibo

Há um epílogo foda pra caralho chamado “Invocação do Portal para o Vazio”, lá você encontrar um poema genial chamado “invocação do vazio gerador”, nele através da métrica existe uma possibilidade ímpar de se acessar uma gnose útil para trabalhos introspectos, vale a pena dispor um tempo a leitura deste trabalho.


VALE A PENA A LEITURA? VALE! VALE A PENA COMPRAR ESSE LIVRO? VALE!

Vale a pena porque eu mesmo percebi o quanto estava ainda preso a padrões no Vodun Gnóstico tomando como base o trabalho do Michael Bertiaux, sendo que o Grimório Tântrico Integral só esfrega na nossa cara que na realidade não há padrão no gnosticismo do voudon e na verdade em nenhum outro. É como eu disse, SE É GNÓSTICO É PESSOAL, SE É PESSOAL É GNÓSTICO E NÃO HÁ TRANSFERÊNCIA DE PONTO DE VISTA! Conheçam, rompam as amarras e aproveitem a leveza da flexibilização de seus paradigmas.

Para comprar com um desconto massa, use no site (http://www.parzifal777.com.br) deles o código > ocaosdesempre < e sejam muito felizes


Agradeço imensamente a oportunidade de conhecer o trabalho da Angela Edwards através do Grimório Tântrico Integral a partir dessa tradução bem boa feita pela Parzifal Publicações, e também agradeço Bruno Gerfilli a dedicação em propagar as obras gnósticas de cunho Afro para esse meio ocultista tão abafado pela Magia Ocidental da Europa.

A Oficina de Criação de Sigilos Magickos e seu conteúdo

 


O Caminho do Mago é Solitário, mas não Sozinho

por Victor Vieira

O Mago dos tempos medievais estava sempre em sua caverna, sala secreta, topo de torre ou seja lá onde fosse, sempre afastado do convívio comum. Cá entre nós, uma atitude plausível quando se acredita em qualquer coisa que vá de contra quem pode cortar sua cabeça ou te atear fogo, nao e mesmo? Pois bem, hoje estamos no século XXI, e o equívoco sobre a forma de observar a tradição nos levou a transformarmos o que mais poderia nos unir, que e a internet em nossas cavernas que nos afastam de tudo, inclusive do sentimento legítimo de formação de comunidade. O caminho do mago e solitário porque toda experiência mística e individual, mas sem o “outro” não existe o “Eu”… A individualidade é formada a partir da observação do coletivo, e a comunidade se torna essencial, capaz de reforçar a necessidade de desenvolvimento pessoal a partir de comparações saudáveis, torna o pensamento magicko flexibilizado o suficiente para lidar com todo tipo de membro.
Cada homem e cada mulher é uma estrela, mas somos corpos sóis no corpo de Nuit, não podemos abandonar o senso de convivência, pois não há nada mais belo que a dança da órbita de duas estrelas que se aproximam e não se chocam, é a matemática perfeita da coexistência colaborativa na Obra de brilhar.
“Faze o que TU queres há de ser o Todo da Lei” depende de um sujeito te ofertando a boa nova, a Lei é para ser proclamada, e antes de conhecê-la, quem a apresentou a você?


Sobre o dia da Oficina de Criação de Sigilos Magickos

Faze o que Tu queres há de ser o Todo da Lei. O dia 15 de setembro de 2019 foi construído à muitas mãos, sigilizando, entrando em estado alterado de consciência, compartilhando experiências, ocupando espaço público e trazendo a sociedade o ato natural de fazer magia ao seu lugar de direito, que é O LUGAR QUE BEM ENTENDER. Amor é a Lei, Amor sob Vontade. O que fazemos não é resistência, o que fazemos é natural, resistir é ir de contra o funcionamento de Tudo o que é vivo e são “eles” que resistem. Cumprir a Lei não acompanha tensão, apenas o relaxamento de fazer o único ato possível para estar em completa concordância com o Eu.


CONTEÚDO DA OFICINA DE CRIAÇÃO DE SIGILOS MAGICKOS


O que é magia dentro da ótica da magia e esoterismo ocidental

  • Aleister Crowley

    “Magia é a Ciência e a Arte de Provocar Mudanças em Conformidade com a Vontade”

  • Israel Regardie

    “Magia é a ciência e a arte de usar estados de consciência alterada para provocar mudanças em conformidade com a vontade”

O que é Vontade?

– No “De Lege Libellum” (Liber CL), Crowley define a Verdadeira Vontade como a vontade que não se conforma com as coisas parciais e transitórias, mas… procedem firmemente para ao Fim”, e na mesma passagem ele identifica esse “Fim” como a destruição de si mesmo em Amor.

Amor esse chamado também de Agape, que em Thelema é geralmente usado para denotar o Amor que permeia e impele a criação, a única substância capaz de unir 2 separados.

  • Donald Tyson

    “A magia é a arte de afetar o manifesto através do imanifesto”

Sendo o manifesto tudo aquilo que pode ser visto, tocado, manipulado, imaginado ou compreendido. O não manifesto é nenhuma dessas coisas.

  • O que é magia para cada um aqui presente?
  • E como a gente seria capaz de definir o que ela é? (Parábola dos 3 cegos de nascença do Donald Tyson)

O que é o sigilo; a história da onipresença dos símbolos magickos até os tempos de hoje.

Um sigilo (pl. sigilia ou sigilos) é um signo criado para um propósito magicko específico. Um sigilo é geralmente composto por uma combinação complexa de traços ou figuras geométricas, cada uma com um significado ou intenção próprio.

O termo “sigilo” deriva do Latim sigillum, que significa “selo”, apesar de também estar relacionado a סגולה, do hebraico (segulah significando “palavra, ação ou item de efeito espiritual”). Um sigilo pode possuir uma forma abstrata, pictorial ou semi-abstrata.

Na antiguidade

De forma geral, os alfabetos utilizados atualmente derivam de símbolos, modificados através do tempo. Uma cabeça de búfalo, por exemplo, foi estilizada e modificada ao longo dos anos até se tornar a letra “A”. Os egípcios usavam os Hieróglifos, e no Japão a escrita Kanji ainda tem em seus traços grande similaridade com os elementos que busca representar.

Quanto à construção de desenhos a partir de mensagens e frases, a escrita árabe sempre permitiu esta prática. As palavras árabes são conectadas por uma linha contínua, um fio condutor que permite sua torção e disposição em arranjos elaborados. Sendo assim, nos adornos de templos e na heráldica era comum encontrar desenhos que codificavam frases ou nomes. As suras do Alcorão, por exemplo (com exceção da 9ª), iniciam por Bismillah, que forma um “fecho” e permite que a frase seja amarrada em torno de si mesma com fácil localização de seu início e fim. Além disso, nas práticas judaicas da Merkabah, a entrada nos níveis celestes era auxiliada pelos selos correspondentes, que deveriam ser desenhados pelo magista.

Na África subsaariana, os sigilos também eram extensamente utilizados, como por exemplo para codificar histórias, e para evocar energias ancestrais. A ideia de desenhar histórias e mensagens na areia, em tramas elaboradas, era muito utilizada pelo povo Tchokwe, da Angola (e chamada de desenho Sona). Já no campo magicko e espiritual, uma das práticas mais conhecidas de sigilização africana é o Traçado de Pemba, utilizado tanto para ancorar entidades no plano físico quanto para atrair suas qualidades ou codificar intenções e desejos (ver Pontos Riscados).

A sigilização é presente também na cultura Nórdica, com o uso de Bandrunar (união de runas) e Insigils (sigilos rúnicos). Estas práticas da Magia rúnica consistiam na elaboração de desenhos que eram usados como talismãs ou entalhados na madeira das casas, buscando proteção ou sorte em batalhas. O desenho mais conhecido deste tipo é o Ægishjálmr, ou Elmo do Terror, um símbolo rúnico representando o elmo de mesmo nome que é citado nas Eddas, usado para a proteção de casas e pessoas.

No Lemegeton

Nos livros Ars Theurgia e Ars Goetia, que fazem parte do Lemegeton (também chamado A Chave Menor de Salomão), são descritos os selos dos líderes espirituais, dos Daemons e dos Shemhamphorash. Já no Ars Paulina, são descritos os selos planetários, muitas vezes direcionados para uma intenção específica, e no Ars Almadel são apresentados os selos dos principais coros de anjos, bem como suas conjurações.

No Ars Notoria, são apresentados sigilos (chamados de Notas) que podem ser utilizados para as mais variadas finalidades, como acelerar o aprendizado ou obter conhecimento sobre uma área da ciência ou uma língua estrangeira. Os sigilos usados na Arte Notória eram construídos pelos magistas usando símbolos e elementos pertinentes àquela área do conhecimento. Por exemplo, o sigilo referente à gramática incluía os nomes de diferentes aspectos do discurso (morfologia, sintaxe, vocabulário, etc). Já o sigilo utilizado para aprender geometria contava com desenhos de linhas, triângulos, quadrados, pentagramas, estrelas de seis pontas e círculos.

As práticas Salomônicas, assim como as chinesas, consideravam que os portais de comunicação entre o mundo físico e o espiritual se abriam em lugares e horários específicos, por isso as direções cardeais e as horas planetárias sempre foram de vital importância na realização de qualquer intento magicko por estes sistemas.

Na Steganografia

Reconhecido como um livro de magia angelical e criptografia, este livro de Esteganografia foi escrito por volta de 1499 pelo monge beneditino Johannes Trithemius, e utilizado por Agrippa, John Dee e Austin Spare em seus trabalhos. A ideia geral do livro era a de codificar mensagens por meio de sigilos, e então enviá-las para pessoas distantes, por meio espiritual. As mensagens poderiam também ser enviadas a espíritos angelicais, que então iriam realizar os desejos ali descritos, funcionando por si só como um método de magia simpática (sistema magicko baseado na atração do que é desejado).

Na Steganographia, são descritos métodos de sigilização que permitem a representação pictórica de desejos e intenções. As mensagens, antes escritas em Inglês, Latim, Hebraico ou Enoquiano, poderiam ser descritas de forma mais exata e desambígua desta forma sigilizada, o que facilitaria sua transmissão e realização. O trabalho mental envolvido na elaboração do sigilo faria parte, segundo Trithemius, da prática mágica, e potencializaria seu efeito. Após o desenvolvimento do sigilo, este era enviado à entidade desejada, o que deveria ser feito na hora correta e voltando-se para a direção cardeal adequada.

Por Austin Osman Spare

Austin Osman Spare criou, por volta de 1910, técnicas de desenho e escrita automáticos, além de métodos de sigilização e um culto voltado à libertação do “verdadeiro eu” dos magistas, chamado Zos Kia. Em seu Livro do Prazer (Livro do Êxtase ou do Auto-Amor), Spare descreve como os sentimentos inconscientes podem estar ligados ao funcionamento da realidade externa, e como podem interferir na mesma, apresentando glifos para sua representação e práticas mágicas que incluem seu uso.

Nas descrições de sua prática com sigilos, Spare deixa claro que o envio de mensagens para serem atendidas por instâncias espirituais deve ocorrer de forma criptografada, uma vez que a linguagem humana não é suficiente para esta atividade. Além disso, Spare não utilizava horários, direções cardeais ou nomes de entidades, pois considerava que a realização dos intentos codificados nos sigilos ocorria por uma ou mais forças espirituais em consonância com o inconsciente do próprio magista.

Portanto, no momento da conjuração seriam selecionadas as energias corretas para levar a cabo cada objetivo, que então direcionariam o fluxo energético através do Éter. Este pensamento foi um dos que levou ao surgimento de novas vertentes de magia, baseadas em aspectos psicológicos e operadas pelo inconsciente do próprio magista. Isto aproximou ainda mais a magia da psicologia, e permitiu o uso magicko de ferramentas da psicanálise em conjunto com reinterpretações das evocações e invocações tradicionais.

Por Peter J.Carroll

Carroll apresenta três exemplos de métodos para a construção de sigilos. O primeiro método é baseado nas letras do alfabeto: escreve-se uma frase, eliminam-se as letras repetidas (e/ou as vogais), e combinam-se as letras restantes na forma de um desenho. O segundo método é pictórico: desenha-se a intenção desejada e simplifica-se o desenho em etapas, até a obtenção de um símbolo que não represente, à primeira vista, o que foi desenhado inicialmente. O terceiro método é mântrico: a partir da frase que codifica a intenção, eliminam-se algumas letras e cria-se um mantra que não descreva, em linguagem falada atual, o objetivo inicial.

  • Primeira prática de sigilos com base na escrita rabiscada – método pessoal (Victor Vieira)

A mente como ferramenta; dos princípios herméticos aos fundamentos da magia do caos.

Aqui faço junções entre os princípios herméticos e os conceitos do Liber Null que definem os passos para a libertação, na intenção de levar os oficineiros ao entendimento de que todos os símbolos estão à sua disposição para a construção não apenas de seus sigilos, mas também de entender que a sacralidade do símbolo mora na capacidade de ser manipulado e direcionado onde o operador o bem quiser.

  • As Sete Leis Herméticas (comentários com base n’O Caibalion adaptados a uma linguagem “não magistica” para tornar mais acessível e menos mística)

1 – O Princípio do MENTALISMO:  “O todo é Mente; o universo é mental.”

A primeira e mais importante lei hermética fala basicamente sobre o poder da mente. O universo em que vivemos e tudo o que cremos ser realidade é de natureza mental: a natureza, nossas ações, nossos corpos e todo o resto. Nós somos o que pensamos. Se pensamos coisas boas, coisas boas virão; se pensamos coisas ruins, elas ficarão mais próximas de nós em uma estrutura de forma-pensamento. O universo é um campo de energia mental em dimensões particulares.

2 – O Princípio da CORRESPONDÊNCIA: “O que está em cima é como o que está embaixo. O que está dentro é como o que está fora.”

Na segunda lei hermética, compreendemos que para tudo existe uma correspondência no universo, seja no microcosmo ou no macrocosmo. Usando a Bíblia como exemplo, este princípio está refletido na analogia de quando “Deus cria os homens à sua imagem e semelhança”. Sendo assim, para compreendermos tudo aquilo que nos cerca, temos que olhar para a sua correspondência e seu padrão em outros lugares.

3 – O Princípio da VIBRAÇÃO: “Nada está parado, tudo se move, tudo vibra.”

A terceira lei hermética é amplamente aceita pela ciência moderna e trata do movimento inerente ao universo. Tudo se move, pois tudo vibra. Tudo é composto de átomos em constante vibração. O movimento é o que leva a mudanças e as vibrações ocorrem em diferentes graus. Por meio das vibrações, podemos estar mais próximos do caos ou da harmonia, e isso pode ser controlado. Nas frequências mais altas estão aquilo que não é visto; nas frequências mais baixas estão as vibrações da matéria.

4 – O Princípio da POLARIDADE: “Tudo é duplo, tudo tem dois pólos, tudo tem o seu oposto. O igual e o desigual são a mesma coisa. Os extremos se tocam. Todas as verdades são meias-verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliáveis.”

Na quarta lei hermética, entendemos que vivemos em um mundo polarizado. Tudo tem uma dualidade: o quente e o frio, o claro e o escuro, esquerda e direita, bem e mal… Quando associamos o princípio da polaridade com o da vibração, porém, compreendemos que as dualidades são duas faces da mesma moeda – em graus diferentes. O escuro não é nada além da luz ausente; a saúde é ausência de doença. A dualidade é, também, a unidade.

5 – O Princípio do RITMO: “Tudo tem fluxo e refluxo, tudo tem suas marés, tudo sobe e desce, o ritmo é a compensação.”

Na quinta lei hermética, entendemos que vivemos em uma dinâmica de ciclos. Tudo o que vai, volta, e vivemos em uma vibração eterna de atração e repulsão, de inspiração e expiração. Assim como podemos estar por cima, certamente voltaremos para baixo, e isso vale tanto para movimentos físicos como o dos astros, frequências mentais e padrões de relacionamento. Por meio da Neutralização, é possível conquistar maior estabilidade dos ritmos.

6 – O Princípio de CAUSA E EFEITO: “Toda causa tem seu efeito, todo o efeito tem sua causa, existem muitos planos de causalidade, mas nada escapa à Lei.”

Na sexta lei hermética, compreendemos que as coincidências nada mais são do que acontecimentos nos quais as causas ainda não foram esclarecidas. Toda ação tem uma reação e nada é por acaso. Ao dominar os princípios desta lei, é possível ser o agente causador e não apenas sentir os efeitos, de modo que possamos propagar o bem. Quando tal mecanismo é dominado, nos tornamos mestres de nós mesmos.

7 – O Princípio de GÊNERO: “O Gênero está em tudo: tudo tem seus princípios Masculino e Feminino, o gênero manifesta-se em todos os planos da criação.”

No último princípio hermético, entendemos que o gênero não está apenas naquilo que se reproduz fisicamente, mas também está em planos mentais, naturais e espirituais. Toda criação deriva de uma força masculina e feminina. Tudo o que existe pode ter gênero: seres humanos, planetas, árvores. Sabendo e internalizando este fato, podemos viver em maior plenitude.

  • Libertação (trechos do Liber Null – Liber LUX)

Sacrilégio: Destruindo o Sagrado

“Liberta-se energia quando um indivíduo rompe com regras de condicionamento por meio de alguns atos gloriosos de desobediência e blasfemia(…)”

Heresia: Definições Alternativas

“Ao buscar ideias que pareçam bizarras, malucas, extremas, arbitrárias, contraditórias, e sem sentido, você descobrirá que as ideias que anteriormente lhe pareciam razoáveis, sensatas e humanitárias são, na realidade bizarras, malucas, etc., da mesma forma(…)Em discussões sempre discorde, especialmente se seu oponente começar a expressar suas próprias opiniões.”

Iconoclastia: Quebrando Imagens

“(…)Remexendo as roupas de baixo sujas da sociedade, descobrimos seus verdadeiros habitos.(…)”

Bioesteticismo: O Corpo

“(…)Transcendência, o impulso de se tornar um com algo maior, pode ser satisfeita de diversas formas, através do amor, trabalhos humanitários ou nas buscas artísticas, científicas e mágicas pela verdade.(…)”

Anatematização: Autodestruição

“(…)Portanto, reflita sobre a natureza transitória e contingente de todas as coisas. Examine tudo em que você acredita, todas as preferências e todas as opiniões, e corte-os fora.(…)”


O que é gnose para o xamanismo que nunca morreu, e seus vários estados alterados de consciência.

  • Estado alterado de consciência;

    Condição de pensamento não ordenado em que se põe a consciência superficial em desordem o suficiente para que o trabalho magicko seja acessado pelo subconsciente.

  • Debate sobre o que é gnose;

Métodos para gnose, indo além da famigerada masturbação.

  • Excitação sexual
  • Exaustão
  • Transe musical
  • Transe por movimento repetitivo
  • Uso de psicotrópicos (Quimiognose)

Escolhendo o melhor banimento para seu trabalho magicko, dentro da flexibilização de paradigmas.

O que é o banimento e como escolher e se apropriar do banimento para o trabalho magicko.

Não pense sobre banir, bana! Não é sobre a ferramenta mais elaborada, é sobre compreender que o banimento é um ato de separar as coisas, definir espaços geográficos e a propriedade das coisas que se manipulam, incluindo a propriedade do operador sobre ele mesmo, determinando autonomia e poder absoluto no momento da prática.


Ferramentas de construção estrutural, kameas (quadrados magickos), mantras, anagramas, desenho automático e transposição imagética.

ATIVIDADE PRÁTICA DE TRAÇAR CODIFICAR SIGILOS, ATIVÁ-LOS E CARREGÁ-LOS

  • Método dos Kameas

Um quadrado magicko (kamea em hebraico) consiste em uma série de números dispostos em um quadrado para que a soma de qualquer linha seja igual a um de qualquer coluna. Para a maioria dos quadrados magickos, a soma de qualquer uma das diagonais também equivale à soma de uma linha ou coluna. Os quadrados magickos foram estimados por suas propriedades magickas e matemáticas há milhares de anos na China, na Índia e no Oriente Médio.

Saturno 3×3
4-9-2
3-5-7
8-1-6
=15

Jupiter 4×4
4-14-15-1
9-7-6-12
5-11-10-8
16-2-3-13
=34

Marte 5×5
11-24-7-20-3
4-12-25-8-16
17-5-13-21-9
10-18-1-14-22
23-6-19-2-15
=65

Sol 6×6
6-32-3-34-35-1
7-11-27-28-8-30
19-14-16-15-23-24
18-20-22-21-17-13
25-29-10-9-26-12
36-5-33-4-2-31
=111

Vênus 7×7
22-47-16-41-10-35-4
5-23-48-17-42-11-29
30-6-24-49-18-36-12
13-31-7-25-43-19-37
38-14-32-1-26-44-20
21-39-8-33-2-27-45
46-15-40-9-34-3-28
=175

Mercúrio 8×8
8-58-59-5-4-62-63-1
49-15-14-52-53-11-10-56
41-23-22-44-45-19-18-48
32-34-35-29-28-38-39-25
40-26-27-37-36-30-31-33
17-47-46-20-21-43-42-24
9-55-54-12-13-51-50-16
64-2-3-61-60-6-7-57
=260

Lua 9×9
37-78-29-70-21-62-13-54-5
6-38-79-30-71-22-63-14-46
47-7-39-80-31-72-23-55-15
16-48-8-40-81-32-64-24-56
57-17-49-9-41-73-33-65-25
26-58-18-50-1-42-74-34-66
67-27-59-10-51-2-43-75-35
36-68-19-60-11-52-3-44-76
77-28-69-20-61-12-53-4-45
=369

Para saber mais, recomendo meu conteúdo sobre quadrados magickos planetários
https://ocaosdesempre.wordpress.com/2017/06/23/quadrados-magickos-sigilos-e-o-quadrado-magicko-de-eris/

  • Método da Roda da bruxa

    Witch's Sigil Wheel

  • Método Pictográfico

    Para criar um sigilo usando o método pictórico/pictográfico, você desenha uma imagem aproximada do que deseja e minimiza os elementos da imagem até chegar a um símbolo simples.


Ânsia de resultado e suas consequências; o equívoco do esquecimento do sigilo que não devemos esquecer.

A crença do ato magicko ser algo não natural e em conformidade com o ecossistema e plano de manifestação que se busca tem o poder de foder com tudo por não trazer a verdade da essencia que brota de dentro do operador que sabe que não há motivos para algo não acontecer. Não se questiona a eficácia de um ato magicko assim como não se questiona a queda de uma folha de arvore no outono, porque ambos estão em conformidade com o movimento da vida no planeta, é apenas “mais do mesmo” na vida da vida. 

  • MOMENTO PARA DEBATE

Implementação dos sigilos no cotidiano; colocando seu sigilo no currículo para aquele job funcionar ou na propaganda do seu negócio (hipersigilos).

  • DEBATE E PRÁTICA!

AGRADECIMENTOS

Agradeço em primeiro lugar à Mia Bueno, minha namorada, parceira e produtora, sem ela nada disso teria sido feito, ela botou fé em primeiro lugar em mim e no que eu sei, me ajudou a levantar a bunda da cadeira desde minha autoestima até a fazer conteúdos pra esse dia maravilhoso, se preocupou com estrutura, espaço, mensagem, conforto de todos e em me amar rs
Agradeço também aos oficineiros, que compareceram de diversas distancias reais para chegar ao local, todos sabem que o Rio de Janeiro é complicado de transporte pra quem não mora no “Pequeno Centro” e Zona Sul, e tinha gente às 6h da manhã já na rua pra não se atrasar, gente que veio da região oceânica de Niterói e gente da Baixada Fluminense. Foram 7h de oficina com praticas, diálogos e muita troca e todos permaneceram ATÉ O FIM, e alguns um pouco mais.
Agradeço aos amigos magistas do meu círculo mais próximo, Gabriel “Royal” Costa, do Xaoz e Vinicius Rosa do CALEN, que compareceram, trocaram conosco, dividiram de suas experiencias e fizeram mais encantadora a tarde do que imaginávamos.


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ocaosdesempre@gmail.com


Lembrando que faço atendimentos de tarot, tanto presenciais* quando online, via skype/whatsapp/telegram, e faço acompanhamentos mensais.
Faço instruções de magia e criações específicas de sigilos e servidores, entre em contato e fazemos um bom orçamento pra você, vamos conversar (:

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*PRESENCIAIS SOMENTE CENTRO DO RIO E ZONA SUL