Análise do Grimório Tântrico Integral de Angela Edwards [Edição Parzifal Publicações]


Há um tempo vinha querendo ler o Grimório Tântrico Integral, e esse dia chegou, a Parzifal Publicações me mandou esse livro bonito pra que eu falasse pra vocês um pouco dele.

Caso você também queira que eu faça uma analise de algum livro ai, você pode me mandar, entre em contato através do ocaosdesempre@gmail.com


Não sei se é do conhecimento comum, mas eu sou um cara bastante entusiasmado quando tratamos de Vodun Gnóstico, me vem a mente Michael Bertiaux, o  e todas as suas criações atávicas ligadas aos pontos quentes, me vem também o Voudon Gnostic Workbook com todos os tipos de trabalhos com veves, lowas e todo trabalho com secreções  cósmicas e físicas que podemos imaginar, mas o livro foge um pouco dessa temática, JURO QUE ELE SE MANTÉM TANTO NO VODUN QUANTO NO GNOSTICISMO.

Importante frisar essa frase anterior que propõe que o livro se mantém no gnosticismo do voudon porque estamos acostumados a ligar essa linha de trabalho com tudo o que se aproximou aos trabalhos tanto de Bertiaux, quando de Beth ou seja da OTOA, LCN ou M7R, mas é gnóstico tudo aquilo que vem de dentro pra fora sem cair no “abismo do porque”.

Angela Edward é artista visual, claramente adepta ao Zos Kia Cultus, direta ou indiretamente, TODAS AS PRÁTICAS do livro são claramente atávicas, sendo na minha opinião o atavismo a atividade mais importante a ser abordada dentro do trabalho de Austin Osman Spare.

Adorei sua abordagem a partir de meditações e estudos de flexibilização de paradigmas quanto às praticas de magia sexual propostas no livro, em determinado momento ela expõe que não defende inúmeras práticas expostas no livro ligadas aos Lowas cujos atos são violentos deste a essência até a casca.

O livro começa com um aviso legal e um papo reto sobre as associações propostas no livro, Angela afirma antes que qualquer pessoa a perturbe e seja uma chata do caralho, assumindo logo que sua produção neste livro é pós-moderna sim, adaptada diretamente ao século XXI e que não tem a menor intenção de te convencer de que aquele ponto de vista é o ponto de vista definitivo sobre vodu gnóstico ou sobre qualquer coisa que ela se proponha.Bom também que já fica claro pra você ai ortodoxo de porra nenhuma, que lá ela associa os lowas com a árvore da vida e se você não tem estômago para isso é melhor que vá ler o hinário da igreja batista mais próxima da sua casa.

Nicholaj de Mattos Frisvold vem neste livro entregando um prefácio tão gostoso de ler que fiquei órfão ao encerrar a leitura e cair dentro do conteúdo direto do livro, seu nome é “Gramática de psicopatologias movidas pela noite e pela magia”, onde ele exalta toda transgressão proposta pela autora, tanto num panorama psicosexual quanto numa camada sintomática social, onde ela num nível individual explora as sombras de sua personalidade sob a influência dos lowas e num nível coletivo onde utiliza seu corpo e sua psique para manifestar as capacidades destrutivas da humanidade na exploração do desejo.

A introdução fica por conta da própria Ângela, que nos dá exemplos muito práticos de seu trabalho magicko refletido no dia a dia a partir da observação das qliphoth e lowas, e desde já abro espaço aqui pra dizer que se o seu medo é falta de conhecimento para entender o vocabulário exposto nesta obra, eu já te acalmo com muito gosto te dizendo que 2 partes após essa introdução já tem uma parte chamada “A Árvore da Morte Sob a Ótica Qliphotica Como um Reflexo da Condição Humana”, onde a partir de observações bem claras sobre o comportamento humano, chegamos a um entendimento da funcionalidade das qliphot associadas a cada um dos lowas (Muuuuuuuuuuuuuito embebida na perspectiva do Kenneth Grant no Night Side Of Eden [Alô Parzifal Publicações, traga esse livro pro Brasil por favor!]) que já nos entregam um pouco do que estará por vir nessa obra artística pintada a tintas ctônicas.

As ilustrações de Ângela são viscerais, a tonalidade, textura, relevo são fundamentais quando ela tenta e consegue ao máximo explorar a surpresa, curiosidade e o asco dos observadores, lembrando sempre que assim como pra mim foi um tanto perturbador notar a diferença de seu trabalho do trabalho de Bertiaux, devemos lembrar que a base do voudon gnóstico é o desenvolvimento independente do operador proposto, criando a intimidade pessoal com os símbolos que decide explorar esperando sempre que haja uma entrega do operador às emanações da psique que brotam do inconsciente. É gnóstico, gnóstico é pessoal e intransferível, tipo o que o Estado espera que você faça com o seu documento de identidade, sabe?

A diante encontramos o que mais estavamos esperando, o conteúdo integral do livro, é dividido em duas parte na minha opinião, não o conteúdo, mas cada um dos capítulos a seguir que falam sobre cada um dos lowas propostos em associação com cada uma das sephirah. A divisão se faz por meio de uma invocação, sempre um poema perturbadoramente genial, onde você nota que é de fato um trabalho artístico e começa a entender a partir dele que sem a arte não há processo magicko, que sem o processo magicko não há arte e que os dois são um só e quando observados como singulares, se tornam complementares e inúteis sem a companhia do outro. A outra parte da divisão de cada capítulo se dá através de informações técnicas sobre cada lowa, sem a intenção de te instruir para uma prática de cópia do trabalho de Ângela, mas assim como Bertiaux, seu objetivo a todo o tempo é mostrar a capacidade proposta pelo Voudon Gnóstico de avançar em solitude na direção que quiser e que o sucesso é a prova… As informações técnicas de cada capítulo são: Ritual, Associações Sexuais, Secreções Humanas a Serem Ofertadas, Cores, Materiais, Partes do Corpo, Elemento, Erotização Mental, Pedra, Associações com Cartas do Tarot e Família Loa.

As associações cabalísticas SEPHIRAH-LOA são:

  • Kether-Damballah
  • Chokmah-Barão Samedi
  • Binah-Mama Brigitte
  • Chesed-Marinette dos Braços Secos
  • Geburah-Barão Kriminel
  • Tipharet-Os Marassas
  • Netzach-Erzulie Dantor
  • Hod-Barão Limbi
  • Yesod-Kalfou
  • Malkut-Baka
  • Daath-Nibo

Há um epílogo foda pra caralho chamado “Invocação do Portal para o Vazio”, lá você encontrar um poema genial chamado “invocação do vazio gerador”, nele através da métrica existe uma possibilidade ímpar de se acessar uma gnose útil para trabalhos introspectos, vale a pena dispor um tempo a leitura deste trabalho.


VALE A PENA A LEITURA? VALE! VALE A PENA COMPRAR ESSE LIVRO? VALE!

Vale a pena porque eu mesmo percebi o quanto estava ainda preso a padrões no Vodun Gnóstico tomando como base o trabalho do Michael Bertiaux, sendo que o Grimório Tântrico Integral só esfrega na nossa cara que na realidade não há padrão no gnosticismo do voudon e na verdade em nenhum outro. É como eu disse, SE É GNÓSTICO É PESSOAL, SE É PESSOAL É GNÓSTICO E NÃO HÁ TRANSFERÊNCIA DE PONTO DE VISTA! Conheçam, rompam as amarras e aproveitem a leveza da flexibilização de seus paradigmas.

Para comprar com um desconto massa, use no site (http://www.parzifal777.com.br) deles o código > ocaosdesempre < e sejam muito felizes


Agradeço imensamente a oportunidade de conhecer o trabalho da Angela Edwards através do Grimório Tântrico Integral a partir dessa tradução bem boa feita pela Parzifal Publicações, e também agradeço Bruno Gerfilli a dedicação em propagar as obras gnósticas de cunho Afro para esse meio ocultista tão abafado pela Magia Ocidental da Europa.

2 comentários em “Análise do Grimório Tântrico Integral de Angela Edwards [Edição Parzifal Publicações]

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