CHAOSCREDO*, a autoridade do Mago sobre o ambiente.

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[Artigo criado à partir de uma publicação minha no grupo “Kaos-Brasil. Magia do Caos”]

O rito funciona de forma simples, e serve para que a autoridade do Mago seja fixada no ambiente em que ele se encontra, fazendo com que toda a realidade ao seu redor se curve mediante a sua vontade.

1 – Visualize-se dentro da caosfera no ambiente em que você realiza o rito [SE POSSÍVEL, FAÇA O RITO DA CAOSFERA nesse momento];

2 – Sinta o ambiente vivo e inteligente, vibrando e se comunicando contigo;

3 – Ponha-se na postura da morte [SEM PREPARO FICA DIFÍCIL FAZER ESSA POSTURA];

4 – Dê a voz de comando para que o ambiente se curve à você, sendo você o Baal Shen daquele lugar. (Usando sua voz mental, mas vibrando o chakra vocálico)

5 – Recite as palavras à seguir (Também utilizando sua voz mental e vibrando o chakra vocálico)

[Momento em que se afirma a autoridade] Não obedeço datas, não obedeço luas, não obedeço marés e não obedeço dogmas, tudo o que eu quero que seja é, toda minha vontade se faz sem nenhum esforço.
[Autoanalise reflexiva de sí – RECOMENDO QUE CADA MAGISTA FAÇA O SEU PRÓPRIO PARÁGRAFO] Ela simplesmente se faz ao passo do meu querer, o Universo faz acontecer.Me vejo um como o Universo, e acredito que ele fazendo tudo ser o que pensa em fazer, assim minha vontade passa a ser realizada no momento do meu querer.Verdadeira vontade não é o que se quer na totalidade da palavra, mas o que se deseja com a chama que arde no coração do mais nobre mago.Mas também não sou nobre, e isso que é engraçado, porque passei a merecer a realização das minhas vontades no dia que passei a entender e rir das piadas do Caos no Universo.

6 – Após o final dos comandos dados, levante-se e ria, gargalhe, vomite, grite ou veja um desenho animado ao seu gosto se possível.

*O nome é referencia à expressão brasileira “cruz-credo”

Experimento de Ensino de Magia para Crianças

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[Artigo publicado por mim no grupo “Kaos-Brasil. Magia do Caos”]

Ontem eu estava com meu priminho, ele tem seus 4/5 anos de idade e ele estava doido pra construir uma receita de doces. Me virei pra ele no momento em que me fez esse pedido e disse:

“Moleque, um Mago precisa de armas mágicas para um feito desse, vamos nos equipar”

Juntamos os ingredientes que necessitamos, os aparelhos e os objetos e então levei ele até a barraquinha de churros e disse:

“Aqui você vai escolher a sua varinha mágica, cuidado na escolha, o recheio faz toda a diferença (ele nunca havia comido churros na vida)

Antes de começarmos a montagem nós nos sentamos no chão da cozinha de olhos fechados e eu disse para que ele visualizasse o prato pronto, o cheiro, o sabor, a textura, TUDO (sem deixar seu churro cair, porque em suas palavras, “se a varinha é uma arma o Mago não pode soltar”)

Logo após a visualização, começamos e ele me disse:

“Pimo, mamãe vai ficar boazinha depois que comer isso, aqui tem cura pra tudo, ate pro que a mamãe tem” (A mãe dele estava com dor nas costas por conta de uma hérnia de disco e estava de cama, por isso eu estava cuidando dele)

O resultado foi uma “gororoba”, nada muito bonito, porém doce, no final eu disse:

“Agora concentra toda a tua vontade no doce e toca com o doce de leite da ponta do churro no tabuleiro com o doce que você fez”

Após tocar o churro “brindamos” nossos churros e comemos como forma de banimento.

RESULTADO:

Após 1h do consumo do doce, a mãe do meu primo estava de pé com ele no colo brincando, e antes ela mal conseguia sair da cama sem ajuda.

DEUS ÚNICO? JURA?

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Deixa eu te explicar (Juro que vou ser bem didático, ta?), você ai cristão, que curte falar que curte um deus (o “D” maiúsculo é problema seu, não meu) só e blablablá…

Entenda que o politeísmo em 90% de sua prática, independente da religião, apresenta seus “deuses” ou “entidades”, como face de uma energia superior, um exemplo:

Hares pode significar o rigor de deus, Afrodite o amor de deus, Loki pode ser o sentimento de indignação que causa a transformação necessária da zona de conforto em atitude feroz…

Agora o eu vai explicar pra vocês as faces do deus de vocês (Ta vendo só, precisou vir um caoísta/thelemita/satanista/fã de bodes vir aqui explicar uma coisa que vocês nunca pararam pra pensar, só pararam pra julgar), o Jeovázão/Jeová/Yehovah/Yod He Vav He/Tetragrammaton/Javé/YHWH (E ó, não vai ter invenção nenhuma não, é tudo com base bíblica, ta? Então tá, beijos):

EL, ELOAH: Deus “poderoso, forte, proeminente” (Gênesis 7:1, Isaías 9:6) – etimologicamente, El parece significar “poder”, como em “Tenho o poder para prejudicá-los” (Gênesis 31:29). El é associado com outras qualidades, tais como integridade (Números 23:19), zelo (Deuteronômio 5:9) e compaixão (Neemias 9:31), mas a raiz original de ‘poder’ continua.

ELOHIM: Deus “Criador, Poderoso e Forte” (Gênesis 17:7; Jeremias 31:33) – a forma plural de Eloah, a qual acomoda a doutrina da Trindade. Da primeira frase da Bíblia, a natureza superlativa do poder de Deus é evidente quando Deus (Elohim) fala para que o mundo exista (Gênesis 1:1).

EL SHADDAI: “Deus Todo-Poderoso”, “O Poderoso de Jacó” (Gênesis 49:24; Salmo 132:2,5) – fala do poder supremo de Deus sobre todos.

ADONAI: “Senhor” (Gênesis 15:2; Juízes 6:15) – usado no lugar de YHWH, o qual os judeus achavam ser sagrado demais para ser pronunciado por homens pecadores. No Antigo Testamento, YHWH é mais utilizado em tratamentos de Deus com o Seu povo, enquanto que Adonai é mais utilizado quando Ele lida com os gentios.

YHWH / YAHWEH / JEOVÁ: “SENHOR” (Deuteronômio 6:4, Daniel 9:14) – a rigor, o único nome próprio para Deus. Traduzido nas bíblias em português como “SENHOR” (com letras maiúsculas) para distingui-lo de Adonai, “Senhor”. A revelação do nome é primeiramente dada a Moisés “Eu sou quem eu sou” (Êxodo 3:14). Este nome especifica um imediatismo, uma presença. Yahweh está presente, acessível, perto dos que o invocam por livramento (Salmo 107:13), perdão (Salmo 25:11) e orientação (Salmo 31:3).

JEOVÁ-JIRÉ: “O Senhor proverá” (Gênesis 22:14) – o nome utilizado por Abraão quando Deus proveu o carneiro para ser sacrificado no lugar de Isaque.

JEOVÁ-RAFA: “O Senhor que sara” (Êxodo 15:26) – “Eu sou o Senhor que te sara”, tanto em corpo e alma. No corpo, através da preservação e da cura de doenças, e na alma, pelo perdão de iniquidades.

JEOVÁ-NISSI: “O Senhor é minha bandeira” (Êxodo 17:15), onde por bandeira entende-se um lugar de reunião antes de uma batalha. Esse nome comemora a vitória sobre os amalequitas no deserto em Êxodo 17.

JEOVÁ-MAKADESH: “O Senhor que santifica, torna santo” (Levítico 20:8, Ezequiel 37:28) – Deus deixa claro que apenas Ele, e não a lei, pode purificar o Seu povo e fazê-los santos.

JEOVÁ-SHALOM: “O Senhor nossa paz” (Juízes 6:24) – o nome dado por Gideão ao altar que ele construiu após o Anjo do Senhor ter-lhe assegurado de que não morreria como achava que morreria depois de vê-lO.

JEOVÁ-ELOIM: “Senhor Deus” (Gênesis 2:4, Salmo 59:5) – uma combinação do singular nome YHWH e o nome genérico “Senhor”, significando que Ele é o Senhor dos senhores.

JEOVÁ-TSIDIKENU: “O Senhor nossa justiça” (Jeremias 33:16) – Tal como acontece com Jeová-Makadesh, só Deus proporciona a justiça para o homem, em última instância, na pessoa de Seu Filho, Jesus Cristo, o qual tornou-se pecado por nós “para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Coríntios 5:21).

JEOVÁ-ROHI: “O Senhor nosso Pastor” (Salmo 23:1) – Depois de Davi ponderar sobre seu relacionamento como um pastor de ovelhas, ele percebeu que era exatamente a mesma relação de Deus com ele, e assim declara: “Yahweh-Rohi é o meu Pastor. Nada me faltará” (Salmo 23:1).

JEOVÁ-SHAMMAH: “O Senhor está ali” (Ezequiel 48:35) – o nome atribuído a Jerusalém e ao templo lá, indicando que outrora partida glória do Senhor (Ezequiel 8-11) havia retornado (Ezequiel 44:1-4).

JEOVÁ-SABAOTH: “O Senhor dos Exércitos” (Isaías 1:24, Salmos 46:7) – Exércitos significa “hordas”, tanto dos anjos quanto dos homens. Ele é o Senhor dos exércitos dos céus e dos habitantes da terra, dos judeus e gentios, dos ricos e pobres, mestres e escravos. O nome expressa a majestade, poder e autoridade de Deus e mostra que Ele é capaz de realizar o que determina a fazer.

EL ELIOM: “Altíssimo” (Deuteronômio 26:19) – derivado da raiz hebraica para “subir” ou “ascender”, então a implicação refere-se a algo que é muito alto. El Elyon denota a exaltação e fala de um direito absoluto ao senhorio.

EL ROI: “Deus que vê” (Gênesis 16:13) – o nome atribuído a Deus por Agar, sozinha e desesperada no deserto depois de ter sido expulsa por Sara (Gênesis 16:1-14). Quando Agar encontrou o Anjo do Senhor, ela percebeu que tinha visto o próprio Deus numa teofania. Ela também percebeu que El Roi a viu em sua angústia e testemunhou ser um Deus que vive e vê tudo.

EL-OLAM: “Deus eterno” (Salmo 90:1-3) – A natureza de Deus não tem princípio, fim e nem quaisquer limitações de tempo. Deus contém dentro de Si mesmo a causa do próprio tempo. “De eternidade a eternidade, tu és Deus.”

EL-GIBOR: “Deus Poderoso” (Isaías 9:6) – o nome que descreve o Messias, Jesus Cristo, nesta porção profética de Isaías. Como um guerreiro forte e poderoso, o Messias, o Deus Forte, vai realizar a destruição dos inimigos de Deus e governar com cetro de ferro (Apocalipse 19:15).

Quando você escolhe uma dessas faces, você simplesmente está focando em um segmento de alcance do poder dessa força superior, assim como a maioria de nós politeístas fazemos quando abordamos um “deus” específico… Estamos assim como vocês dando um arquétipo à manifestação…

Melhor ainda, vamos para um exemplo simples, vamos pensar em deus como um corpo, e os “deuses” ou “santos” ou “nomes de deus” como os órgãos que constituem esse corpo, quando você quer respirar você utiliza os pulmões, quando você quer bombear o sangue você usa o coração, e assim é com os deuses ou com os nomes de deus que você utiliza, vocês simplesmente esta usando uma parte dessa força para atingir um objetivo específico.

Entenda que você estão longe de ser monoteístas por adorar à essas manifestações d’ele. Tudo é parte manifesta e específica de uma força incompreensível, ilimitável e impensável pela mente humana que é tão limitada. Entenda que quando pensamos em deus, precisamos utilizar o conteúdo que temos em nossa mente para poder significa-lo. Nossa mente é limitada, até mesmo limitar essa força ao termo “deus” é realmente limitar, e se você consegue limita-la então não está pensando em deus, porque essa força é o todo, e nossa mente não consegue pensar num todo, pois até o todo que pensamos é limitado.

VOCÊ PODE ATÉ DIZER QUE É MONOTEÍSTA, AFINAL “FAZE O QUE TU QUERES HÁ DE SER O TODO DA LEI” E “NADA É VERDADEIRO, TUDO É PERMITIDO”, PORÉÉÉÉÉÉÉM, EU E VOCÊ SABEMOS LÁ NO FUNDINHO QUE ISSO NÃO É MONOTEÍSMO, KE-RI-DX

Fonte: Bíblia Interlinear – Enih Gil’ead (Hebraico-Português), Material de estudos do curso de Kabbalah Hermética – Marcelo Del Debbio – EADeptus, Sêfer Yetzirá – O Livro da Criação

O CAOS COMO FORÇA MOTIVADORA

HAAIAH

Sabemos que no sistema da Kabbalah, existe AIM, a camada sobre a Arvore da Vida que serve como o Caos mantenedor de todo o sistema, quase ou verdadeiramente como o Caos que se equilibre mediante a Ordem. Mas não é disse que estamos falando, o que quero dizer é que existe dentro de meus estudos uma “não sephirot” além de Daath, inclusive, esta “não sephirot” que incluí no sistema combinada à Daath da um resultado que muitos valente buscam.

Antes me sinto no dever de lhe explicar o que é uma sephirot caso não saiba ao certo. Sephirot (também grafado Sephiroth, cujo singular é sephira ou sefira) são as dez emanações de Ain Soph na Kabbalah Segundo a cabala, Ain Soph é um princípio que permanece não manifestado e é incompreensível à inteligência humana. Deste princípio emanam os Sefirot em sucessão. Esta sucessão de emanações forma a Arvore da Vida.

Como também vou abordar bem de leve o sistema Enochiano, vou explicar um pouquinho sobre… Uma breve introdução.
Magia Enochiana ou Enoquiana é um sistema de magia cerimonial desenvolvido por Dr. John Dee e pelo vidente e Sir Edward Kelley no século XVI. Através de um sessão de vidência numa bola de cristal, os dois estabeleceram comunicação com supostos anjos, que lhes passaram um tipo de linguagem nativa dessas entidades.
Dee e Keley alegavam que sua informação era entregue a eles diretamente por um anjo. Então desenvolveram a escrita Enochiana e a tabela de correspondências que vinha com ela. É dito que esses escritos contém os segredos do livro apócrifo de Enoque.Essa “linguagem” (um verdadeiro idioma com regras próprias de gramática) era composta por um alfabeto de 21 letras, 19 invocações e conhecimentos ocultos. Segundo a história, as palavras possuem um poder tão grande ao serem pronunciadas, que foram transmitidas de trás para frente.

Agora vamos falar dos resultados, depois explico ao certo toda sua simbologia acima representada nessa arte que fiz.
Sabemos que toda sephirot tem sua virtude e seu vício de mesma proporção e de igual importância, mas ela por si só não faz com que a ascensão na escalada da Arvore da Vida, elas por sí só apenas são as manifestações da grandiosidade do Universo. Para que haja o progresso e o resultado do avanço nessa jornada, é preciso que algo sirva de “combustível” que ativa os resultados de cada sephirot, combustível esse que chamaremos de HAAIAH (Alef Alef Hei), uma “não sephirot” com a função mais incrível que poderia existir, que seria “chocar o ovo” que é a sephirot até que aconteça o milagre da vida, que em cada sephirot será a manifestação de sua virtude na vida do magista/kabbalista.

Nesse caso, vamos ser mais específicos, vamos tratar direto na união de HAAIAH com TIPHERETH e da união de HAAIAH com DAATH.

Tiphereth é o coração da arvore da vida, podemos dizer com certeza que a vida de um magista muda ao adentrar Tiphereth, o calor do coração do Universo batendo em consonância com o seu é algo inesquecível. O resultado obtido pela união de Haaiah com Tiphereth da o lindo fruto da apresentação e do contato com o SAG, que também podemos dizer que é a descoberta da Verdadeira Vontade (93). E é exatamente o caos como combustível que proporciona esse encontro, porque o Caos faz com que as peças se movam, tanto no microcosmos quanto no macrocosmos para um bem comum, porque tudo o que esta em cima é como o que está em baixo e tudo o que está em baixo é como o que está em cima e tudo coopera para a realização de um milagre maior, justamente esbarrando no equilíbrio do Universo, pois a Ordem é que precede o Caos, e a Sephirot sozinha é a Ordem, pois é a manifestação coordenada da divindade Maior, ou do nosso Eu Superior.

Daath é o abismo, é onde meninos se tornam homens ou onde se tornam alimento de uma Fera, fera essa que chamaremos de Choronzon, ou pior/melhor, EGO, VAIDADE, VÍCIO, aquele capaz de estragar tua encarnação, e aquele que guarda a porta da sala do tesouro trino. Alí o que impulsiona o mago à lutar e reconhecer que aquele é o monstro que precisa ser abandonado e que ele habita no próprio mago que luta, é HAAIAH, que dentro da simbologia Enochiana é o Anjo da Perceverança, e este encontro entre magista e Choronzon é que está a dupla possibilidade de colheita, a queda ou a elevação, graças ao item combustor chamado HAAIAH.

Dentro do sistema da Kabbalah que estou lhes apresentando, eu ponho HAAIAH, a “não sephirot” acima de Kether, observando tudo do alto e aguando a chegada do mago/kabbalista em cada sephirot para realizar sua função motivadora de obtenção de resultados de acordo com o desempenho de cada um.
HAAIAH é um dos Anjos Guardiões da falange de TSADKIEL
É, o principe das Dominações, faz parte das falanges de inspiração e profecias, ALEF (1 – א) ALEF (1 – א) HEI (5 – ה) tem o somatório 7 (Zayin – ז) numero divino, místico, profético e espiritual. Usei o simbolo astrológico de Éris (Tanto a Deusa quanto o planeta anão)/Discórdia como signo para a “não sephirot” que representa o Caos, que está ligado diretamente à essa bela Deusa, e acima dos simbolos astrológicos de Tiphereth e Daath estão os simbolos que representam os resultados, o Hexagrama Unicursal representa a Verdadeira Vontade e os Triangulos próximos representam Choronzon.

 

Referências utilizadas no texto acima: Liber 777 – Aleister Crowley, Material exclusivo do curso de Kabbalah Hermética – Marcelo Del Debbio (Plataforma EADeptus), Gnostic TeachingsIn the Beginning: A Short History of the Hebrew Language – Joel M. Hoffman, History of the Hebrew Language – David Steinberg, A Cabala Mística – Dion Fortune, Magia Enochiana Para Iniciantes – Donald Tyson, A True and Faithful Relation of What Passed for Many Years Between Dr. John Dee and Some Spirits – John Dee, The Illusion of the Abyss – Benjamin Rowe, A Golden Dawn – Israel Regardie

A Mente e o Universo, um abraço quântico

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Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor” – Johann Wolfgang von Goethe

Quem nunca passou por uma situação na qual parecia que o universo estava tentando falar alguma coisa? Você pensa em alguém e essa pessoa te liga. Você sonha com alguém e depois esbarra com ela na rua. Na mesma semana te falam de uma música, filme ou livro e parece que ele está em todos os lugares. E aquela ligação estranha entre irmãos gêmeos, exploradas pelo cinema, em que um sofre um acidente e o outro sente dor? Esse tipo de situação normalmente é chamada de coincidência. Mas será que é só isso, um evento arbitrário?

Esse tipo de fenômeno está sendo cada vez mais estudado dentro dos campos da parapsicologia e afins, e parece que agora a ciência começa a entender um pouco melhor isso e explicar essas coisas de forma ‘científica’. Mas se voltarmos um pouco na história, essas situações já eram vividas e entendidas pelos místicos.

No hermetismo, um antigo sistema filosófico e mágico atribuído ao misterioso Hermes Trismegisto, autor da famosa “Tábua de Esmeralda” entre outros textos, existem algumas concepções que explicam o funcionamento do Universo. Segundo o livro Caibalion, um clássico da literatura hermética, a primeira dessas concepções é a lei do mentalismo: “O todo é mente, e o Universo é mental”. Se considerarmos essa concepção da natureza, tudo esta interligado, como se fosse uma grande mente universal.

O psiquiatra suíço Carl Jung desenvolveu, em sua teoria Analítica, um conceito que pode ajudar a explicar esses tipos de fenômenos e essa realidade de interconectividade: o “Inconsciente Coletivo”. Grosso modo, para Jung, além do nosso consciente, subconsciente e inconsciente (postulado por Freud), existe uma camada ainda mais profunda compartilhada por todos os indivíduos, portanto coletiva, a qual todos estamos sujeitos. É como se fosse uma grande rede, que está presente em cada um de nós, e em todos nós.

Uma camada mais ou menos superficial do inconsciente é indubitavelmente pessoal. Nós a denominamos inconsciente pessoal. Este porém repousa sobre uma camada mais profunda, que já não tem sua origem em experiências ou aquisições pessoais, sendo inata. Esta camada mais profunda é o que chamamos inconsciente coletivo. Eu optei pelo termo “coletivo” pelo fato de o inconsciente não ser de natureza individual, mas universal; isto é, contrariamente à psique pessoal ele possui conteúdos e modos de comportamento, os quais são ‘cum grano salis’ os mesmos em toda parte e em todos os indivíduos. Em outras palavras, são idênticos em todos os seres humanos, constituindo portanto um substrato psíquico comum de natureza psíquica suprapessoal que existe em cada indivíduo.

Considerando este conceito, podemos entender o fenômeno das coincidências como algo que o próprio Jung denominou sincronicidade, que seria a “simultaneidade de um estado psíquico com um ou vários acontecimentos que aparecem como paralelos significativos de um estado subjetivo momentâneo e, em certas circunstâncias, também vice-versa”. Em outras palavras, é a percepção de um fenômeno que contém geralmente um significado simbólico, através de situações que não compartilham nenhum tipo de relação aparente, ou seja, acausais, e exprimem um estado psíquico interno compartilhado com um evento objetivo e externo.

O interesse de Jung por esse tipo fenômeno sempre causou certo desconforto para a comunidade científica, no entanto, as novas concepções de realidade apresentadas pela moderna física quântica começam a explicar essa interligação de forma científica, corroborando com as concepções Junguianas destes fenômenos. Vale a pena dizer que Jung era amigo de Wolfgang Pauli, um dos primeiros estudiosos da física quântica

Em resumo, a física quântica trabalha com partículas atômicas e sub-atomicas, ou seja, átomos, moléculas, elétrons, prótons, nêutrons, etc, e estuda as dinâmicas interações destas partículas. Dentre essas partículas, podemos citar os fótons, que são as menores partículas envolvidas numa radiação eletromagnética. Aparentemente, fugimos um pouco do tema, mas cientistas contemporâneos já realizaram experimentos nos quais, apesar de separados por grandes distâncias, dois fótons interagem entre si, mesmo sem apresentar uma conexão causal, ou seja, é como se houvesse algo que os conecta, que vai além da realidade física e observável.

Se utilizarmos o exemplo de dois fótons correlacionados, onde é possível alterar o estado de um deles, alterando-se o estado do outro e de modo instantâneo, então seria possível haver uma correlação não-local entre os inconscientes de todos os seres humanos, o que resultaria no Inconsciente Coletivo de Jung e na sua Psicologia Analítica.

Toda essa interconexão da consciência já não é mais teórica e esta sendo comprovada. Existe um experimento, realizado em entre os anos de 1993 e 1994 por Jacobo Grinberg, um neurofisiologista da Universidade do México que consistiu em colocar duas pessoas para meditar juntas, com a intenção de se comunicarem diretamente, sem troca de sinais ou conversa. Essas pessoas eram isoladas uma da outra em “gaiolas Faraday”, câmaras eletromagneticamente impermeáveis, e seus respectivos cérebros conectados a máquinas de eletroencefalograma.

Após um breve tempo de meditação, foram mostrados flashes de luz para apenas um dos sujeitos, cuja atividade elétrica cerebral era alterada em resposta aos flashes. É ai que a coisa fica interessante. No eletroencefalograma do outro sujeito que não recebeu nenhum flash de luz, foi constatado que seu cérebro recebeu um potencial, virtualmente igual em intensidade e força, variando em atividades elétricas de 65% a 75%. Esse é um valor muito substancial e a conclusão do experimento é que a atividade elétrica de um cérebro se transfere para outro cérebro, sem conexão ou contato elétrico nenhum. Este experimento foi replicado por Peter Fenwick em Londres e Leanna Standish e seu grupo na universidade de Bastyr, em Seattle. Todos concluíram a mesma coisa: existe uma transferência de informação de cérebro a cérebro, sem nenhuma conexão eletromagnética.

Essas conclusões são muito interessantes e significativas, e acabam por explicar, mesmo que parcialmente, os fenômenos de sincronicidades. No entanto, apesar de explicarem uma comunicação não-local entre sujeitos, pouco se sabe sobre o motivo destas manifestações acontecerem em determinados momentos, ou com determinadas pessoas. No romance best seller americano “A Profecia Celestina”, James Redfield conta a história de um manuscrito encontrado no Peru que contém nove visões, ou nove etapas, que os seres humanos precisam desenvolver afim de evoluir individualmente como sujeitos e coletivamente como espécie. A primeira etapa deste processo é descrita como a tomada de consciência das “coincidências” que nos cercam. É defendido, que para evoluirmos, o primeiro passo a ser dado é perceber essas sincronicidades e não considerá-las como mero acaso, mas uma forma intuitiva de buscar informações no dia-a-dia que nos impulsionam a melhorar e expandir a consciência.

Acho pertinente, por tanto, encerrar dizendo que devemos prestar atenção a nossa volta e analisar essas coincidências, entender o que elas nos dizem e para onde elas apontam. Quando fazemos isso, cada vez mais essas situações acontecem e nos indicam que estamos no caminho certo. Aos poucos, vamos integrando destino e livre arbítrio, expandindo nossa consciência e nos aproximando dos horizontes da jornada da alma.

Referências utilizadas no texto acima: O Caibalion – Os Arquetipos do Inconsciente Coletivo, Carl Gustav Julg – Sincronicidade, Carl Gustav Jung – Física e Psicologia: Um diálogo interdisciplinar. XVIII Simpósio nacional de ensino de Física, NUNES, A. L.

C.U.C.A. – Chaos Magick e a Intolerância Religiosa

C.U.C.A.

C.U.C.A.

COMPREENSÃO UNIVERSAL DE CRENÇAS ASSIMÉTRICAS

CONTRATO ASTRAL DE SERVIDORES

  • QUEM

A CUCA é uma criação astral inspirada numa personalidade homônima do folclore brasileiro. Concebida sobre o aspecto da bruxa velha, muitas vezes tomada como antagônica, habitou as estórias de crédulos e animou um esqueleto fantasmagórico. Retomamos-o para compor-lhe partes vitais e reencarná-lo de cara nova. A mitologia condescendente empresta-nos moldes e devolvemos-la patronos compostos.
A CUCA é um agente harmonizador de litígios culturais, especificamente os de cunho religioso. Ela é a representação da síntese de crenças e trabalha no sentido do sincretismo expansivo, estimulando a liberdade e a diversidade de cultos.
Seu nome decomposto, Compreensão Universal de Crenças Assimétricas, remete à ideia de comunhão de valores variados visando o bem estar coletivo.

  • COMO

A CUCA é um ente de trabalho conjunto. Como servidor, ela tem acesso a diversos níveis de atuação. Seu trabalho é concentrar as intenções de seus usuários e se valer da egrégora formada para multiplicar a intensidade de suas investidas.
Criada para dissolver a intolerância religiosa a CUCA atua de duas maneiras distintas, sendo a primeira preventiva e a segunda paliativa, a saber:

1 – A promoção da reforma de valores vigentes no contexto socio-cultural local, disseminando imensos fluxos de informações de cunho espiritualista, formando uma rede astral de conhecimentos variados.
Esse súbito desvelar de crenças ajuda a difundir explicações e chama a atenção do inconsciente coletivo para o problema tratado. Se a raiz da intolerância é a ignorância, começamos a combater a falta de informações e possíveis falsos boatos distribuindo informações corretas e facilitando o acesso a elas. Essa também é uma forma de emancipação cultural e de desenvolvimento dos canais de intuição dos indivíduos nas áreas afetadas pelo servidor, uma vez que os centros de receptividade desse grupo de pessoas serão mais estimulados.
Por estarmos tratando de uma egregora, quanto mais membros inclusos e sintonizados, maior será a influência de CUCA sobre os diversos planos de atuação. Conforme o contato com o servidor se estabelece, inicia-se uma troca continua de dados entre o que o indivíduo considera parte de seu credo e a programação que o servidor tem para oferecer para ele, passível de ser reprogramada no caso do usuário estar afim com a egregora. Os dados colhidos pela CUCA são processados, comparados e integram uma nova parte da rede, sendo este seu alimento principal.
A relevância das informações colhidas se dá pela percepção da análise do nível de fé em que cada indivíduo emprega em cada crença, agrupando crenças similares e diluindo valores muito pessoais que não convém ao coletivo. Em suma, um Panteão compartilhado por meia dúzia de pessoas pode ser incluso no repertório se a Vontade empregue sobre seus deuses for suficiente. De outra forma, esta é considerada uma informação irrelevante e é arquivada até que hajam reincidências suficientes para sua veiculação.
Com o desenvolvimento dessa rede de informações mais tangível, torna-se possível o emprego de comandos sutis de reprogramação comportamental, sempre obedecendo à premissa fundamental da CUCA de harmonização do contexto e desenvolvimento do bem estar comum.

2 – O reparo de rompantes de violência aos credos, seja de cunho coletivo ou individual, por meio de contra-investidas administradas pelo usuário interessado, seja ele a vítima ou um representante.
A CUCA possui um reservatório com um grande volume de energia acumulado dos intentos que os usuários depositam nela voluntariamente. Isso significa dizer que ela possui uma capacidade de atuar diretamente sobre a matéria, rebatendo as ofensivas sobre a fé ou credo de determinada instituição ou pessoa.
Por possuir uma consciência desenvolvida ela sabe reequilibrar as situações sem precisar ter instruções ao ser evocada. Contudo pode-se direcionar ligeiramente seu modo de atuação de acordo com a Vontade do usuário.
Movida pela motivação de pacificar o coração dos homens, quanto mais injustiça se vê, mais atuante a CUCA se torna. Pode-se dizer, portanto, que sua moral é um tanto relativa e seu comportamento completamente adogmático, impedindo que ela seja filiada a qualquer grupo de pessoas e fazendo-a o mais imparcial possível em suas ações. Isso é necessário para que só comunguem com ela indivíduos que vêm como necessário o fim dos conflitos e se valham de uma alternativa lúcida e, por assim dizer, apartidária. A CUCA é o tertium quid, é o caminho do meio, é a mediadora, a representante astral de um crescente grupo de consciências que prezam pela liberdade plurilateral. A CUCA é a lucidez coletiva personificada e ela quer preencher as lacunas e máculas e abranger toda a vida.

  • POR QUE

A história se repete. Num cenário de completa delusão, o outro é o diabo. A inquisição restabelece-se, agora multifocal, e o sangue é o meio de se purificar.
Não é o ateísmo o desestímulo pessoal, mas o crescente ceticismo na bondade do homem e a necessidade de se reconectar com o divino de forma rápida, prática e, por que não, vulgar.
A espiritualidade enlatada e a consequente necessidade de salvação externa produz as dualidades e elegem os arquétipos do ideal e do imoral. Figurante de sua própria vida, o crente inflexível, munido de ódio, acaba por precisar da tragédia para vergá-lo à pertinência, e até que isso ocorra ele prejudica muitas outras pessoas. A CUCA é uma tentativa de 1) apaziguar o delírio coletivo, dando a possibilidade da população compreender a diversidade entre si; 2) antecipar o trágico, de forma amena, para que o coletivo não precise se responsabilizar tão intensamente pelo individual.

  • SIGILO

SIGILOCUCA

RITO

A CUCA pode ser acionada através da ativação de seu sigilo direcionado com o intento. Os diálogos e direcionamentos a auxiliam a sintonizar-se com o usuário e sincronizar os dados disponíveis ao servidor.
Para aumentar seu poder de alcance resolvemos compor alguns mantras, muitos até um tanto lúdicos e simplistas, de modo a enraizá-la no inconsciente coletivo e conferir-lhe maior poder de atuação.
Um mantra pode ser criado a qualquer momento, ou seu nome pode ser escondido em frases e seu sigilo em fotos, de modo a infiltrá-la em diversos meios e popularizar a causa.
Pode-se ainda criar um totem, pixar seu sigilo ou outras medidas para firmá-la em determinado local como ponto de atuação constante e intenso.
Um bom exemplo de mantra para se utilizar é o verso:

Como Um, Como Todos

Que repetido se tornará:

Comum com Todos

Manifestando em frase a síntese do propósito do servidor. Esse mantra é uma chave para a CUCA. Tenha-o sempre em mente.
Outro bom exemplo é o clássico:

“Dorme neném
Que a C.U.C.A vem pegar
Papai foi na roça
Mamãe foi trabalhar.”

que usado com a devida inflexão de Vontade pode suscitar boas experiências. Mudando um pouco a grafia de “Cuca” colocando os pontos para formar a sigla, como acima, ou mesmo colocando as letras apenas em maiúsculo já é capaz de alterar a percepção do texto e ancorar o servidor àquela palavra.

  • ÚLTIMAS CONSIDERAÇÕES

Temos em mãos uma manifestação da antiga Lei “Olho por Olho, Dente por Dente”. Esse não é o tipo de justiça ideal, mas se faz necessária enquanto os órgãos externos forem reticentes e ineficazes em reparar a falta de respeito da população com algumas minorias específicas.
Que o vórtex que aqui inauguramos seja usado com cautela e discernimento e que possamos lapidar essa consciência artificial de forma a torná-la o símbolo de paz e concórdia que ela representa, e não um instrumento de represália usado exclusivamente para repelir ofensivas.

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Éris e Loki, o casamento demiúrgico

Caosboro

Desde a cristianização da consciência humana, o caos é mal interpretado, levado a todos como um sinônimo de bagunça, balbúrdia, ou qualquer outra palavra que nos leve a lembrar de algo desastroso. De fato temos a deusa Éris como a deusa do Caos, e atrelado ao caos temos suas consequências, que apesar de serem imprevisíveis, grande parte das consequências não são agradáveis (ou melhor, as que damos mais atenção nunca são agradáveis), e é nesses frutos que podemos dizer que o grande Loki habita.

Vamos falar primeiro de um de cada vez, e depois eu conto sobre esse casamento lindo.

O caos é realmente incompreendido, porque apesar do ser humano ser capaz de produzir incontáveis formas de pensar sobre o mesmo assunto, ele parece ter um fetiche grande por engessar o pensamento e limitar qualquer capacidade de produzir algo que não seja a habilidade de reproduzir aquilo que é dito sem que o que foi dito seja digerido por si. Crescemos ouvindo e lendo que o caos é algo ruim, pelo simples fato de bossais que nos antecederam sempre utilizaram apenas essa palavra para falar de algo bagunçado e desastroso (como Ovídio, havia atribuído esses adjetivos à divindade Caos), parecendo que tinham o prazer de castrar seu próprio vocabulário.

Uma das interpretações do significado que levo para a minha vida e não só para a minha vida no âmbito pessoal, mas na própria interpretação do caos ao qual Éris representa, é a teoria comprovada de que caos é uma força externa que penetra em um padrão de certa forma organizado, desordenando tal ordem e gerando a necessidade de nova organização, gerando trabalho e o trabalho gerando energia, como todo bom “motor”.

Eis o papel de Éris, tornar aquilo que está estagnado e causar eventos que façam com que a mudança seja necessária para que algo se torne correto de acordo com a necessidade de quem promove o primeiro padrão, afinal de contas podemos pensar pela seguinte vertente: Em nossas vidas costumamos estagnar o que acreditamos ser bom, mas no fim das contas apenas é mais cômodo. O que é cômodo costuma ter prazo de validade, e quem bate em nossa porta pra nos lembrar que está na hora de mudar é a deusa Éris, que realmente não nos ajuda a notar que o prazo esta esgotado, mas a partir do momento que notamos a necessidade, é ela que se torna o grande motor que converte caos em energia e a energia nós convertemos em força de trabalho para a realização da alteração do padrão que antes era cômodo porém nos estagnava.

Como mago do caos digo tudo isso com propriedade, porque na magia do caos o que mais fazemos é usar a energia do próprio caos como combustível para a realização de nossa vontade. A capacidade de andar entre dogmas, quebra-los e utilizarmos o melhor de cada crença, doutrina e religião com grande maestria, ou ainda que envoltos em problemas para inter-relaciona-los por serem crenças divergentes é justamente a capacidade de pegar todo esse caos e fazer com que tudo se torne ordem na nossa cabeça sem que se torne um padrão. Melhor dizendo, tornar o caos e a imprevisibilidade um padrão para a realização da nossa Verdade Vontade.

Assim como necessitamos de algo que nos desperte para converter o caos em ordem, temos também aquilo que nos leva ao caos, a força prima que penetra no padrão e trás a necessidade da reorganização, a força que bate em nossa porta para avisar que o que esta estagnado já passou do seu prazo de validade e que algo é necessário que deva ser feito.

Esse é Loki, nosso deus “brincalhão”, tão mal interpretado quanto todo o caos que lhe serve como berço. Loki, o deus do fogo, aquele que pode ser ouvido no estalar da lenha em uma boa fogueira (partindo do principio que o conceito de bom, assim como mau são pontos de vista), sempre aparece fazendo alguma travessura ou forjando uma cena que trás incomodo com grandiosas consequências abertas à interpretação. Sempre que Loki aparece, logo após a resolução ou desistência do problema trazido por ele, alguém aprende algo, algo acontece e um lição é dada.

Loki trabalha com o incômodo, com a ação que nos tira da zona de conforto e com a amoralidade, isso mesmo, significa que ele vida à margem da moral humana. Esse sábio deus chamado Loki nos leva à iluminação necessária manifestando sua força da forma como melhor nos atinge. Nós humanos somos seres preguiçosos e de fácil imobilidade quando encontramos o menor sinal de conforto, e lhes mostro que não é mentira!

Numa sociedade capitalista e de terceiro mundo como a que vivemos no Brasil, dificilmente você vai ver alguém da “classe c” que conseguiu o mínimo de conforto e honra pelas posses que tem querer investir o pouco dinheiro que consegue em algo que não seja material e na maioria das vezes passivo de ostentação. O campo da biologia também nos mostra isso através da comparação de duas plantas, uma nativa da mata atlântica e outra nativa da caatinga nordestina, onde vamos que a rais das plantas da mata atlântica pouco se estendem pelas profundezas do solo ao menor sinal de umidade, enquanto a planta da caatinga por conta da pouca existência de água em seu solo apenas para de aprofundar suas raízes ao fim de sua “vida útil”.

O casamento demiúrgico, ouroboro caótico, 0=22 cômico

A união que faço em meu panteão entre Éris e Loki não poderia ser melhor em meu ponto de vista, ou pelo menos me cabem muito bem até a próxima mudança de ponto de vista que sempre estou passivo a receber.

No inicio temos a zona de conforto, e tudo é ordem, após isso vem o caos e se vê necessário para modificar as coisas e levar a ordem a uma elevação. Nesse momento Loki vem e bate à porta, inventando eventos que poderão não ser tão bem vistos, mas como disse anteriormente, as divindades que trabalham com o caos são amorais, e farão o necessário para que sua missão seja realizada com sucesso. A atitude de Loki lhe incomodará até que algo seja feito, mesmo que o que seja feito de sua parte seja a desistência ou a resistência para se manter como está. A partir desse momento você se vê no meio de um acontecimento que não lhe é confortável e resolve fazer algo para que aconteça a mudança e para que seja alcançada novamente a ordem. Este é o instante que Éris aparece e pega todo o caos reconhecido por você como necessitado de mudança/ordem, e transforma em energia, para que seja aplicada da forma como quiser para alcançar a ordem necessária.

Esse é um ciclo sem fim, a zona de conforto sempre será visitada por esse casal que beneficamente nos traz todo o aparato para a evolução, seja ela moral, intelectual, espiritual ou etc… Esse é o inicio e o fim de uma jornada sem término, onde é melhor aproveitar a vista da caminhada do que a chegada ao destino.

Referências utilizadas no texto acima: Northhvergr – Prose Edda – Brodeur Trans. (em inglês) Northvegr Foundation – Sturluson, Snorri (1916) Gylfaginning, capítulo 44, Edda em prosa – Colum (1920) – Loki (É possível compreende-lo?)Morte Súbita – Loki (Verdade e essência desse deus)Morte Súbita – Infoescola, Teoria do Caos. – Brasilescola, Teoria do Caos – Clarke, Peter Bernard in: Psychology Press, Encyclopedia of New Religious Movements (2006) – Drure, Neville; Stealing Fire from Heaven: The Rise of Modern Western Magic – Spare, Austin Osman; Ethos – Magick, Livro 2, página 127 (Aleister Crowley) – Magick, Livro 4, páginas 128 e 174 (Aleister Crowley) – Liber Aleph, página 13 (Aleister Crowley) – Pequenos Ensaios em Direção à Verdade, página 76 (Aleister Crowley) – Amoralidade de Exu (Conversa Entre Adeptus, Douglas Rainho) – A Ecologia, As Plantas e a Interculturalidade das Plantas, Capítulo 3 (José Eduardo Mendes Ferrão, Maria Lisete Caixinhas, Maria Cândido Liberato)